sábado, 31 de março de 2012
Aguas passadas não voltam jamais.
Eu matei no peito
Tudo de mal que rogaram para mim
E toda a benção, navalhas em cetins
para me sufocar assim,
de pouquinho em pouquinho
Mas eu puxei para mim.
E matei no peito
O que fui e o que me veio
A tirambaço na melhor das vezes
E o que capturei á laço, degolei de pronto
De dez para mais vezes estoquei bem fundo
Profundamente entre os seios jazem...agora enterrados!
Mas em noites assim
Quando bate na janela a garoa fina
E os grilos cantam mais alto que o pensamento
E talvez para ouvir além, tudo o mais silencia
Ou então...
Em noites onde tudo é encontro, amor e seresta
Todos gritam, dançam, riem e tudo é festa
Tudo vibra em profusão sinestésica
E toda a pirotecnia se exibe nos céus
-agora retumbantes jardins de flores luminescentes-
É sempre nestas noites que eles vem de susto
Com suas roupas rasgadas de seda e lama
Maquilagem de escandaloso estapafúrdio
Se arrastando sob minha pele, susurrando
á minha sombra
Provocando e rindo, me amarram á cama
Lambem-me o rosto e a pele ressente-se com
o géilido apodrecido.
Fingem cantar, mas rilham os dentes
e gritam
Nem eles sabem bem o quê
Mas querem me obrigar a ouvi-los,
Querem que eu os veja
mas nada existe para ver
Querem que eu os sinta
quando já perderam todo o sentido
Eu só, machuco, me debato
Acordo - quase sempre - sem querer.
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